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Gala Drop: Overcoat Heat E.P.

Edição: Golf Channel Recordings 12”

Os Gala Drop habitam um espaço difícil de definir entre a electrónica, o rock experimental psicadélico, a sensibilidade pop e laivos tropicais. São de Lisboa e lançaram um álbum em 2008 na sua própria editora – Gala Drop Records – preparando-se agora para lançar o segundo trabalho, um EP de quatro temas, desta vez através da Golf Channel.

Actuaram recentemente em Nova Iorque, ao lado dos Teengirl Fantasy e Avey Tare, abrindo o concerto de Panda Bear na Governor’s Island. A relação com os membros dos Animal Collective não é inocente. Não tanto pelas afinidades sonoras, mas mais pela atitude. Ou seja, estamos perante um som difícil de classificar, electrónico, orgânico, transcendente. Se aceitarmos estes termos então talvez os Gala Drop tenham semelhanças com os  Collective, ainda que sejam outra coisa.

São o estilo de banda que explora múltiplas influências, mas fazem-no de uma forma própria que os define. Em ‘Rauze’ exploram uma base mais tecno, com uma batida lenta mas sólida, sobre a qual se vão erguendo camadas de percussão espacial, explorando ritmos que fazem cedências à música de dança, mas nunca deixando esquecer que são visões humanas aquelas que nos guiam. Sintetizadores e samples de aroma oriental contribuem para uma espécie de viagem psicadélica, o que acaba por ser o denominador comum de todas as faixas do EP.

‘Drop’, com as suas melodias repetitivas, soa a sessão de improviso e é a faixa mais orgânica. Inspirando devaneios tropicais, a percussão funde-se com guitarra e o baixo sob capas de efeitos que ajudam a criar uma atmosfera de sonho. Todas as faixas acabam por situar-se nesse limbo onde se cruzam a nossa realidade e outra qualquer.

Se por momentos se sente a inspiração do clássico tecno de Detroit (como na abertura de ‘Izod’), rapidamente somos transportados para outra realidade, onde os instrumentos se sobrepõem à vontade das máquinas. ‘Overcoat Heat’ devolve-nos o espírito de improviso, cimentando o jogo entre máquina e instrumento, sintético e humano. É uma viagem pelo desconhecido, mas reconfortante, aquela que nos é proposta. Como se estivéssemos a voltar a casa por um caminho novo.

João Pedro Silva

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