
Edição: Something 12”
O universo fechado de Stephan Laubner começou por parecer, há uma década, uma interpretação pessoal da abstracção house de Theo Parrish, mas com cada novo vinil da série Something cresce a definição de uma personalidade musical que transcende a mera ideia de house. O ambiente sepulcral do jogo de máquinas (quase 100% analógicas) é uma elaboração infinita com base em elementos muito simples, sempre iguais ou muito semelhantes. Em dezassete discos (alguns duplos) repete sons e padrões até pensarmos que as várias horas do conjunto fazem parte de um todo maior do que as partes. Das montanhas de Harz, a sul de Hamburgo, sai este som eternamente em flirt com house, nunca plenamente concretizado, cheio de arestas mas longe de imperfeito.
Quem segue com prazer as mutações da house será inevitavelmente atraído para a Something, um laboratório permanente onde Laubner exercita non stop os mais relevantes acentos e contornos, ao ponto do loop eterno – várias locked grooves sempre incluídas nos discos. E sem anunciar felicidade (não há truques visíveis, na sua música, que resultem em felicidade). Esta música faz sentir bem pelo modo como nasce e se manifesta, não por aquilo que precisa de inventar para conquistar favores. Está tão perto das raízes que facilmente se confunde com a terra, para onde os vendedores de progresso raramente, sequer, olham.
Major