Alva Noto é o nome com que o complexo e multifacetado artista audiovisual alemão Carsten Nicolai assina as suas criações, com as quais explora as propriedades do som e do espaço, criando verdadeiras obras de escultura sónica que desafiam a nossa percepção do que é uma peça musical. Nascido na Alemanha Oriental em 1965, foi em Berlim que Nicolai finalmente se estabilizou nos anos 90, fundando a editora Raster Noton como forma de dar a conhecer artistas que se identificam com a sua visão conceptual, minimalista e experimental da electrónica. Foi precisamente com esta visão que se identificaram músicos como o conceituado pianista Ryuichi Sakamoto, com quem o alemão desenvolve uma frutífera parceria desde 2002 ao combinar a electrónica fragmentada com as composições do japonês, descobrindo novos universos sonoros no processo.
É este processo de descoberta do universo do som, espaço e luz que Alva Noto vai trazer ao palco principal do festival Semibreve, que se revê na atitude exploratória do alemão que vem apresentar os resultados do recém-editado álbum “Univrs”, um disco que “ trata da diferenciação conceptual de uma linguagem universal”. Mal podemos esperar para ver no que isto se traduz ao vivo. Conhecendo Carsten Nicolai, será uma experiência que ficará gravada na memória durante muito tempo.
Fennesz
Christian Fennesz é um músico e produtor austríaco que conjugou uma longa paixão pela guitarra com o universo do tecno e demais linguagens electrónicas, dicotomia que explora de forma intensa e variada ao longo da sua extensa discografia. Dezenas de EPs, álbuns a solo e bandas-sonoras testemunham uma intensa carreira marcada pelo experimentalismo e pelo jogo entre texturas sónicas, procurando o equilíbrio entre melodias, silêncio e ritmos. Esta visão particular da música levou-o a várias colaborações importantes, onde se inclui mais uma vez o conceituado Ryuichi Sakamoto (com quem lançou recentemente o envolvente “Flumina”), mas também o prolífico Mike Patton, fundador de bandas como Faith No More, Mr. Bungle ou Tomahawk.
A etiqueta de música ambiental poderá fazer algum sentido mas fica muito aquém no que toca a descrever o estilo de Fennesz. O processo de sobreposição de camadas de som, melodia, ruído e uma infindável quantidade de efeitos parecem ser tão importantes como o produto final, por vezes gélido ou caloroso mas sempre profundo e envolvente, convida o ouvinte a submergir-se nos invlugares mundos sonoros criados pelo austríaco. É esta viagem de exploração às profundezas da melodia e do ruído em que Fennesz nos vai fazer embarcar em Braga.
Murcof
Foi na cidade de Tijuana, no México, que nasceu o músico e produtor Fernando Corona, que se apresenta ao mundo com o nome Murcof, ao criar uma electrónica minimalista e abstracta, utilizando o recurso do ruído e do glitch ao mesmo tempo que exibe uma delicada componente melódica. Após ter-se dedicado ao tecno no projecto Terrestres, foi com o minimalismo emocional de Murcof que o mexicano alcançou a notoriedade merecida, fundindo a sonoridade fria das máquinas com elementos orgânicos de guitarras e pianos, tudo isto encaixando na perfeição para formar uma mistura leve e translúcida que se tornou no seu cunho pessoal. Em Braga irá fazer-se acompanhar do colectivo/editora visual Anti VJ, desafiando a percepção do que é o papel do VJ e das projecções nos espectáculos ao vivo, ao criar instalações de luz e cor memoráveis e interactivas que os coloca entre os mais conceituados artistas do ramo.
Não esperamos nada menos que uma performance fabulosa ao juntarem-se os sons de Murcof com os visuais dos Anti VJ, tudo isto inserido no não menos fantástico cenário do Theatro Circo. É ver para crer.
Jon Hopkins
O britânico Jon Hopkins move-se pelos caminhos da electrónica desde que se estreou a tocar teclados com Imogen Heap, mas desde então já colaborou com músicos tão diversos como Brian Eno, Coldplay ou David Holmes, sendo também altamente reconhecido pelas remisturas que fez de originais de Four Tet, Nosaj Thing ou do single de estreia do realizador David Lynch. Ora mais ambiental ora reflectindo sobre as batidas e graves da electrónica mais dançável, é esta flexibilidade aliada a um tecnicismo e formação musical clássica de impor respeito que fazem de Jon Hopkins uma eminência no panorama musical contemporâneo, que estará em destaque no palco do Semibreve.
Blac Koyote
Blac Koyote é o nome do novo projecto a solo do português José Alberto Gomes, cujos recentes singles e remisturas estiveram em destaque na FACT. Composições que criam envolventes e profundas paisagens sonoras, desafiando as regras do tempo e do espaço, tão dadas à meditação como à dança à medida que elementos electrónicos se entrelaçam com instrumentos acústicos para criar um inovador projecto que se prepara para lançar o primeiro álbum. Venham conhecer esta nova proposta do colectivo PAD, que cumpre mais uma vez a missão de destacar artistas portugueses de calibre.
Taylor Deupree + Stephan Mathieu
O americano Taylor Deupree une esforços com o alemão Stephan Mathieu no palco do Semibreve para uma performance que se adivinha memorável. O primeiro é produtor, fotógrafo, designer gráfico e fundador da editora 12k, sendo inicialmente conhecido pelo seu trabalho com o projecto de tecno Prototype 909, tendo começado a interessar-se pela música ambiental e pelo trip-hop, principalmente através das colaborações com o grego Savvas Ysatis. O segundo define-se como um compositor e artista conceptual sonoro, que trabalha essencialmente com a electrónica abstracta, instrumentos primitivos, media obsoletos e toda uma concepção experimental das técnicas de captação e montagem de som que o tornam num dos artistas mais singulares da actualidade. Da combinação destas duas forças em palco espera-se algo único, um momento inimitável que obriga a marcar presença.
Qluster + Luma.Launisch
Primeiro era Kluster, o trio formado em 1969 pelo falecido membro dos Tangerine Dream, o alemão Conrad Schnitzler, juntamente com Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius. Após a saída de Schnitzler, os dois membros restantes passaram a assumir o nome Cluster, levando a cabo uma sonoridade pioneira que fez com que fossem reconhecidos como um dos grupos mais importantes para o nascimento do krautrock. Agora o projecto entra na terceira mutação ao assumir o nome Qluster, agora contando com a participação de Roedelius e Onnen Bock, que continuam a trabalhar sobre o conceito de música improvisada sobre bases electro-acústicas, e que em Braga se irão apresentar ao público acompanhados pela dupla de VJs Luma.Launisch.
Vitor Joaquim
O português Vitor Joaquim é um músico e compositor que explora a electrónica em relação com várias outras disciplinas, tais como a dança contemporânea, o cinema e as artes visuais. O álbum de 2006 “Flow” foi considerado pela The Wire como um dos álbuns de electrónica do ano, sendo descrito como uma “bela meditação sobre a natureza da identidade”, destacando o “dom de retirar padrões rítmicos e melódicos dos fragmentos de som produzidos pelo software”. Fazemos nossas as palavras da publicação americana, a quem o talento deste músico, investigador e activista do mundo digital não passou despercebido. Não passará despercebido também ao público reunido no Theatro Circo em Braga, que poderão contar com uma performance intensa por um dos artistas electrónicos portugueses mais prolíficos da actualidade.










