
Orlando Higginbottom é um músico e produtor natural da cidade britânica de Oxford, que após alguns percalços iniciais que levaram ao adiamento do concerto de estreia em Lisboa, prepara-se para levar um curioso espectáculo ao palco do Musicbox. Falamos de Totally Enormous Extinct Dinosaurs, prolífico criador de batidas dançáveis que abrangem um enorme espectro de influências, amante de máscaras de dinossauro, dançarinas e de espectáculos teatrais.
Ao ouvirmos a música de TEED e vermos o animado espectáculo ao vivo que traz consigo, torna-se óbvio que Higginbottom é um indivíduo que entende a música electrónica de forma bastante singular. Como tal, tornou-se num músico a ter em atenção nos dias que correm, ainda mais quando se aproxima a data do concerto em Lisboa, que se realiza hoje, dia 9 de Dezembro.
Para antecipar esta esperada visita fomos tentar saber um pouco mais sobre o homem por trás dos disfarces e coreografias. Falámos da infância passada a ouvir Mozart, das primeiras experiências a fazer batidas no computador e da obsessão com o jungle e o drum&bass. Até logo, Orlando.
Fala-nos um pouco sobre a tua educação musical. O teu pai é professor de música coral em Oxford, suponho que isto tenha tido algum impacto enquanto crescias.
A primeira música que eu me lembro de ouvir de pequeno é música clássica, muito provavelmente Mozart. A música nunca me foi imposta, simplesmente existia em abundância à minha volta e eu gostava disso.
Não devia haver muitos rapazes da tua idade a ouvir música clássica nessa altura. Quando estava a descobrir a música clássica com o teu pai, que outras coisas ouvias?
Lembro-me de ir a lojas de música clássica e andar a ver CDs com a mesma obsessão com que depois viria a fazer o mesmo com os vinis de música electrónica. Comecei a ouvir as coisas que os meus irmãos mais velhos ouviam, até que finalmente conheci o jungle, que foi a primeira coisa do estilo a cativar realmente a minha atenção. Acabei por comprar um giradiscos e comecei a coleccionar discos de jungle, que é o único estilo de música que ainda colecciono.
Quando despertou em ti o interesse em fazer música? Estiveste sempre a experimentar com estilos diferentes como agora ou estavas mais focado num determinado género?
Comecei a tocar piano aos sete anos de idade, o que me fez adorar o conceito de composição. O meu irmão já fazia música com o Cubase [software de produção] e ia mostrando coisas de vez em quando. A primeira vez que programei algo no computador foi aos doze anos na escola, ao usar o software de notação musical Sibelius. Acho que era algo meio acid jazz, se me lembro bem. Quando finalmente tivemos um computador em casa comecei a fazer principalmente temas de drum&bass.
Em termos de géneros, como defines a música que fazes?
Desculpa estar a ser chato, mas não penso nisso.
Vês a cena electrónica actual como sendo muito estática? Não há muitos artistas a ter uma abordagem à produção tão ecléctica como a tua, mas parece que as pessoas começam a estar mais abertas para o facto de que os músicos não têm de fazer apenas uma coisa.
Acho que é uma pena que as pessoas se limitem a si próprias em termos criativos, mas sim, parece que isso pode estar em vias de mudar.
Ainda assim, mudanças repentinas de estilo podem afastar parte do público. Alguma vez te sentiste pressionado para fazer um determinado estilo de música?
Sim, posso dizer que já senti essa pressão mas fiz questão de a ignorar e até agora não tem sido um problema. Acho que as pessoas que conhecem bem a minha música já aprenderam a não esperar que esteja sempre a fazer a mesma coisa.
Fala-me sobre o fato que usas ao vivo. É um complemento do espectáculo? Uma forma de te esconderes? Parece ter voltado a haver muitos músicos mascarados, como o SBTRKT ou o Redshape, por exemplo.
Faço isto para me divertir e também para criar algo noutro nível, que não seja só musical. Comigo não se trata de me esconder, acho que também não é o caso do SBTRKT. Será mais sobre criar uma personagem e fazer algo mais especial do que aparecer de calças de ganga e t-shirt em palco.
E as dançarinas?
Porque não?
Todos esses elementos juntam-se para criar um espectáculo bastante único, que vamos poder finalmente ver esta sexta-feira. Alguma surpresa guardada para a tua estreia em Lisboa?
Esta vai ser a minha primeira vez a tocar em Lisboa, portanto vai haver surpresas de certeza.
Preferes tocar ao vivo ou fazer sessões DJ?
Eu toco quase sempre ao vivo. Cantar, usar samples, teclados, etc. Adoro actuar como DJ, mas guardo isso para ocasiões especiais.
Já te ouvimos falar do teu álbum de estreia há algum tempo. Já sabes quando vai sair? E como vai soar este novo trabalho?
Tens razão, estou ansioso por lançar o álbum! Em princípio deverá sair no início do próximo ano, espero. Vai ser bastante parecido com o que ando a tocar ao vivo mas com um pouco mais de profundidade, mas acho que já esperavas esta resposta.
As tuas remisturas são também muito procuradas ultimamente, já fizeste novas versões de temas dos Friendly Fires, Professor Green ou até da Katy Perry. Abordas as remisturas de forma diferente do que as produções originais?
Tenho recebido imensos pedidos, mas não tenho tempo suficiente para fazê-los a todos. Costumo ver as remisturas como uma oportunidade de treinar e experimentar coisas novas, o que não quer dizer que não tente que soem bem.
Diz-nos cinco referências musicais tuas do passado.
Dillinja, Unkle, Earth Wind & Fire, Remarc e Jill Scott.
E cinco músicos actuais que aprecies?
Roman Flügel, Kindness, Caribou, Objekt e Gesaffelstein.
João Pedro Silva