
Edição: Honest Jon’s 12”
Mark Ernestus, Actress, Theo Parrish, Demdike Stare, entre outros, remixaram faixas de Shangaan Electro, Tshetsha Boys e BBC, obtendo resultados diversos, geralmente aproximando seus respectivos dotes e gostos aos altos BPMs africanos. Porém, de todos os volumes da série de encontros promovidos pelo selo inglês Honest Jon’s, entre produtores americanos e europeus e os sulafricanos do shangaan, este talvez seja o mais consistente em termos de adequação entre a forma e o conceito. A despeito da distância geográfica e cultural, os ecos e semelhanças que emergem entre os artistas envolvidos não são de forma alguma desprezíveis.
Nota-se que os altos BPMs que identificam o shangaan e o juke decorrem da necessidade de criar uma ambiente musical favorável à dança. O mesmo ocorre com o kuduro angolano e o “passinho” do Rio de Janeiro, na medida em que os dançarinos carecem de uma música acelerada para executar os passos com a velocidade necessária. As respostas para essa demanda variam, mas constitui-se um denominador comum em função do passo, que se exprime no digitalismo rudimentar e massivo do shangaan e nos arabescos frenéticos da percussão do juke.
Lançada em dezembro do ano passado, a interpretação de Rashad e Spinn destaca o baixo sequenciado, conduzindo o ritmo e sublinhando o suingue, ao passo que RP Boo investe numa roupagem truncada pelos rompantes percussivos do juke. De qualquer forma, parece que uma eventual festa shangaan, animada pela rapaziada de Chicago não pegaria mal. E vice versa.
Bernardo Oliveira