
Luke Jenner e Vito Roccoforte fundaram os The Rapture em 1998 e poucas horas antes de subirem ao palco principal do Primavera Sound de Barcelona – e darem um dos melhores concertos do festival – falaram com a Lusa e com a FACT sobre concertos e fãs. Hoje, quinta-feira, tocam no Optimus Primavera Sound no Porto, pela primeira vez em Portugal. A 6 de Julho repetem a dose no Super Rock, no Meco.
Como vai ser o vosso Verão?
Vito Roccoforte (bateria): Já andamos na estrada desde Agosto do ano passado e agora vamos fazer uma série de festivais até ao fim de Julho. O Primavera serve um pouco como pontapé de partida para a época de festivais, na Europa pelo menos.
E este ano tem uma edição no Porto. Que expectativas têm de Portugal?
Vito Roccoforte: Nunca lá fomos. Chegamos a ter um espectáculo marcado mas tivemos de cancelar porque eu tive uma intoxicação alimentar terrível e foi uma chatice porque nos nunca cancelamos espectáculos. Mas agora temos oportunidade dos fãs nos perdoarem.
E vão tocar duas vezes em menos de um mês…
Vito Roccoforte: Sim. Estamos muito entusiasmados. Ouvi dizer que a comida é boa!
Este novo álbum trouxe-vos novos fãs?
Luke Jenner (voz): Sim, sem dúvida. Somos uma banda há 15 anos e se tocarmos num festival para 10 mil pessoas é obvio que iremos ter novas pessoas. Acho que há três anos os nossos fãs também mudaram. Tenho a sensação de que a maior parte das pessoas desiste da música assim que tem filhos, deixam de prestar tanta atenção. É bom que tenhamos novos fãs, caso contrário não teríamos fãs nenhuns ou teríamos poucos.
É estranho para vocês ter fãs que são tão velhos como vocês são musicalmente?
Luke Jenner: Temos uns quantos assim. É uma coisa que me faz alguma confusão nós envelhecermos e o público ficar mais novo. Acho que só devem haver umas 10 pessoas da nossa idade no público.
E é interessante que haja pessoas mais velhas a ouvir-vos?
Luke Jenner: Depende dos países. Por exemplo na Austrália não há pessoas mais velhas. As pessoas deixam de ir a festivais aí a partir dos 22.
Quando estão a tocar em festivais costumam ter vontade ou tempo para ouvir outras bandas ou experimentar um pouco do ambiente?
Vito Roccoforte: Normalmente não temos muito tempo porque partimos logo para o festival seguinte. Desta vez tivemos um dia de folga e calhou bem porque o alinhamento do Primavera entusiasmou-me imenso. Aliás, há muito tempo que não havia um festival em que eu pudesse dizer que quero ver isto e aquilo.
Este álbum chega a mais pessoas que os outros?
Luke Jenner: Acho que depende muito do país. Uma das coisas mais interessantes de ser uma banda internacional é que sempre que estamos bem num país há outro onde ninguém quer saber de nós. Isso é uma das coisas mais interessantes e por isso todos os discos parecem encaixar. Mas isso faz parte de ser um artista.
Além dos festivais, também fazem concertos em nome próprio. Há diferenças?
Vito Roccoforte: Depende muito. Quando somos cabeça de cartaz podemos tocar mais tempo e sabemos que temos ali os nossos fãs. Mas estamos a habituarmos a tocar em festivais, já fizemos muitos e é uma energia totalmente diferente de tocar uma sala fechada. É um palco e um público grande.
Qual foi o maior festival onde tocaram?
Vito Roccoforte: Diria o Corona Capital [na Cidade do México].
Como é que conseguiram agendar dois concertos em Portugal em menos de um mês?
Vito Roccoforte: Deixaram-nos. Marcamos primeiro o Primavera e depois deixaram-nos fazer o Super Bock.
Luke Jenner: De vez em quando temos via verde. Dizem-nos: “vocês são os Rapture podem tocar onde quiserem”, mas outras vezes é mais: “Rapture, quem são vocês?” (risos).
Ana Baptista