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Carter Tutti Void: Transverse

Edição: Mute CD, 12”, digital


V3

Depois do primeiro naufrágio dos Throbbing Gristle, lá pelo ano de 1981, dois de seus membros, Chris Carter e Cosey Fanni Tutti, deram início a uma parceria brilhante. A experiência techno-pop de Chris & Cosey, calcada na exploração incansável dos sintetizadores, derivaram para vertentes diversas do industrial rock que os “gristles” ajudaram a pavimentar. Comprova-o as texturas robóticas de Trance (82) ou o pop agressivo de Exotika (87), entre outros tantos trabalhos dignos da maior atenção, com ressonâncias evidentes sobre toda a música produzida no eixo do pop-rock-eletrônico anglosaxão em 20 ou 25 anos.

Em 2004, após mudar para o nome para Carter Tutti, a dupla lançou Cabal, um disco que fundia o que havia de mais introspectivo no aspecto pop com o background experimental, desenvolvendo uma sonoridade voltada para melodias tristonhas e climas mais sombrios. E, ainda assim, percebe-se nesta segunda fase a mesma inclinação a criar uma harmonia entre sons maquínicos e sons tradicionalmente musicais, como rezava a profissão de fé do Throbbing Gristle. Esta característica sobressai em Transverse, colaboração da dupla com Nik Colk Void, guitarrista e cantor da banda de pós-industrial (sic) Factory Floor.

Lançado em março deste ano, Transverse representa mais um projeto bem sucedido, voltado para a improvisação com os sintetizadores e máquinas afins. Nas quatro faixas gravadas em Londres no Short Circuit Festival em maio de 2011, todo o lado pop — mesmo o “pop maduro” — foi extraído em favor das nuances e detalhes decorrentes da interlocução entre máquinas e cérebros. Batizadas com a letra V e um número identificador, cada composição é resultado de extenso improviso que parte do andamento meio techno, meio ska, atribuído à Chris Carter, dos sons de guitarra, samplers e sintetizadores destilados por Void e da voz sempre etérea de Cosey Fanni Tutti. O processo é, se me permitem, “dubístico”, mas vale destacar esta referência nos graves em “V3” (Andy Stott meets Markus Popp?) e na versão em estúdio de “V4”— que permite assimilar com mais nitidez este panorama dosadamente poluído.

Talvez por conta da intensa atividade no universo das artes plásticas, através de instalações e happenings, a música de Chris, Carter e Void flui na duração com naturalidade, mesmo repleta de intervenções barulhentas, descompassadas e, no entanto, perceptivelmente manipuladas. Neste percurso, desponta uma torrente de sons, mas organizadas sobre uma mesma planície sonora, um mesmo plano conceitual: sugerir a interação efetiva entre o cérebro e a máquina. De forma que, diante de um projeto deliberadamente sinestésico, não há muito o que observar: a música do trio convida o ouvinte a deslizar com (e sobre) o som — se possível com um bom par de fones de ouvido.

Bernardo Oliveira

 

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  • Bonetone

    garbage

  • MJM

    I agree. Brenmar has totally bastardized this classic.

  • Gerald Emerald

    Utter crap. The only cover of this classic worth checking is DJ Funk’s “Funk me right” on Dancemania

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