201103211225 || 201204121715 || 201205161150|||||||201205161150
NOPE




Loading the next page...
Creative Commons License
ADVERTISE WITH US | CONTACT US
KWAMECORP

↑ Go to top

FACEBOOK | TWITTER | SUBSCRIBE TO OUR NEWSLETTER
NotíciasDestaques Fact Mixes Críticas Audio Eventos
2562: Fever

Edição: When In Doubt


Fever

Na capa, um bebê se aproxima de um aparelho de som, discos e cassetes. A metáfora está posta: o engatinhar ingênuo da criança remete para a frescura da perspectiva, a curiosidade em estado bruto, a ausência de ouvidos para a conversa sensata dos adultos. Uma autonomia, sem dúvida. Mas então percebe-se o título: “Fever“, febre em inglês. Para além de olhos livres, há também o sangue, o indivíduo, a paixão. Quando o olhar pueril se transforma em potência criativa é que são elas.

Dos mais fascinantes produtores deste gênero que dia após dia se esfarela em tantos outros, Dave Huismans chega a seu terceiro álbum como 2562, sustentando uma notoriedade no meio dubstep que vai na contramão de seu trabalho. Isto porque longe de confirmar a padronização e consequente popularização do gênero, Huismans retorce, destroça, reconstrói, e cria uma das paletas sonoras mais intrigantes do momento.

Junto ao trabalho de Shackelton, seu “dubstep” constitui um dos mais ousados desbravamentos sonoros da atualidade, abrindo territórios até então inexplorados por aqueles que produzem para a pista de dança.

Não chega a se comparar com o trabalho da editora Raster-Noton, no que diz respeito ao grau de experimentação, pois ainda mantém alguma regularidade dançante. No entanto, convém adotar a definição da revista Wire, que situa uma determinada gama de experimentadores sob o rótulo “batidas críticas”.

Pois dentre os elementos primordiais no trabalho de Huismans, notamos a desconstrução daquilo que já foi assimilado e estabelecido, a relativização de sonoridades que se cristalizam para fins meramente comerciais. Nada fica de pé no trabalho de 2562, já acontecia em “Aerial” e “Unbalance“, e volta a acontecer em ”Fever“: do compasso das batidas até o formato das composições, da timbragem e texturas até os gêneros trabalhados – o dubstep soturno, o tecno, o dub.

É um álbum que projeta um território próprio, no qual o holandês, livre dos constrangimentos do mercado, desenha suas batidas irregulares e texturas de colorações fortes e matizadas. Para além da surpresa inicial diante de composições extraordinárias como “Winamp melodrama” e “This is hardcore” – graças à estranhíssima distribuição rítmica e aproveitamento de sons quase inéditos – reparem que as inovações apontam para um talento de composição forte o suficiente para sintetizá-las com fluência e propriedade. “Flavor park jam”, “Uxtapose” e a faixa título, “Fever”, demonstram essas características, com suas estruturas polirrítmicas e belas justaposições.

É um dos discos do ano, intrigante, poderoso. Confirma o aspecto crítico da música de Huisman, e sua posição particular no universo eletrônico contemporâneo. Como “Unbalance“, leva adiante os traços característicos que aos poucos construíram seu nome. Vejam bem: leva adiante. Onde ele chega, quem o saberá?

Bernardo Oliveira

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
blog comments powered by Disqus