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LHF: Keepers of the Light

Edição: Keysound Recordings digital


Amen Ra – Simple Things

O termo elegância, comum às chamadas “ciências duras”, remete à necessidade de uma qualidade econômica nas fórmulas matemáticas. Em outras palavras, trata-se de dizer o máximo utilizando-se do mínimo possível. Sua transposição para diversos setores da vida comum faz jus à mesma inclinação, correspondente à necessidade de reduzir o número de elementos, concentrando a informação com eficácia e simplicidade. No caso do vasto mundo da música, a elegância propriamente estética teve que obrigatoriamente ceder seu lugar para uma outra acepção da palavra, que diz respeito à graça com que se vestem as celebridades. Contudo, uma apreciação mais detida nos leva a crer que o terreno fértil da música eletrônica contemporânea, a elegância é um elemento que pode ser medido a peso de ouro, e não me refiro somente à tendência minimalista de concentrar esforços sobre a “repetição”…

A elegância é uma das qualidades da compilação de inéditas e EPs do coletivo londrino LHF, lançado pelo Keysound Recordings de Martin Clark, aka Blackdown. Oito produtores – Amen Ra, Double Helix, No Fixed Abode, Low Density Matter, Solar Man, Octaviour, Lumin Project e Escobar Seasons – envolvidos na confecção de vinte e sete faixas que primam pela elegância, a despeito do fato de combinarem muitas fontes sonoras. Parte dessas faixas já haviam sido editadas através de compilações (como as que podem ser baixadas no Facebook do Keepers of The Light) ou dos três EPs lançados pelo coletivo a partir de 2010, mais precisamente EP1: Enter In Silence… (2010), EP2: The Line Path (2011) e EP3: Cities of Technology (2012). O que, de forma alguma, estraga a surpresa de tê-las reunidas num mesmo âmbito discográfico, muito pelo contrário.

Em primeiro lugar, não se trata de um projeto vinculado a um estilo, muito menos aqueles surgidos nos últimos anos, como o juke. Antes de mais nada, o LHF está vinculado a uma concepção sonora própria, que pode ser designada pela extração de aspectos da eletrônica inglesa, pelo timbre, pela batida, equacionando prodigiosamente a timbragem agressiva dos Metalheadz e da Full Cycle (em “Bass 2 Dark” e “Chamber of Light”), o hip hop desconjuntado da Stones Throw (em “Candy Rain”), os orientalismos da Skull Disco (em “Steelz” e “Blue Steel”), o dubstep arrastado da DMZ (em “Fairytales” e “Indian Street Slang”), entre outras tantas referências. As vozes do soul, os teclados cristalinos, que remetem ao aspecto jazzy do drum’n’bass dos anos 90, convivem com samplers, percussões e batidas sempre diretas em seu propósito.

Dito assim, parece que estamos a falar de um som saturado, indigesto, mas o que se ouve aqui é o inverso. A elegância faz seu papel, não só através de poucos e eficazes elementos, mas também pela diversidade de formas. Segue-se uma profusão de faixas fortes e vigorosas, que ressaltam a habilidade do coletivo de ser acessível (“pop”?) sem ser simplório – o que tem se predicado equivocadamente a meros facilitadores das “batidas críticas”, como The Weeknd e SBTRKT, por exemplo. O LHF nos traz uma perspectiva histórica sobre a música eletrônica inglesa, mas com frescor de coisa nova, vistosa e, sobretudo, saborosa.

Bernardo Oliveira

 

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