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V/A: Gene Hunt presents Chicago Dance Tracks

Edição: Rush Hour CD, 2LP


Ron Hardy – Sensation

OK. Rush Hour de novo em 2011. Trabalho incansável e estratégico de recuperação ou mesmo de descobrimento de música histórica. O contexto actual é extremamente favorável aos sinais emitidos por tudo o que foi feito em Chicago na cena house ainda nos anos 80. Gene Hunt esteve lá, acabou essa década com menos de 20 anos de idade mas, enquanto protegido de Ron Hardy, começou a ter acesso a material em fita, nem sequer em disco.

“Chicago Dance Tracks” representa assim tesouros sem preço (porque nem sequer existiam em disco), transcende a noção de Santo Graal porque não há cálice original para beber – há um espírito intangível que possuiu esta gente e lhes disse “vocês farão a melhor música para dançar que o mundo vai ouvir”. 20 anos depois, o desgaste não só não é mínimo como vocês ouvem agora pessoal oscilar do maximal para jack. A passagem não é inocente, porque a verdadeira crueza original tão procurada por produtores e DJs de hoje existe em abundância, sem mímica, nestes artefactos de outros tempos que ainda transportam o futuro.

Os nomes na compilação são os mesmos de sempre, porque são boa parte da geração inicial, do grupo de pioneiros. Eram os activos revolucionários. A prole. Os trabalhadores. Nada disto é casual: os Kraftwerk eram trabalhadores e a ocorrência habitual da palavra work em clássicos house obrigava, através de slogans simples, os dançarinos na pista a trabalhar o corpo e trabalhar para o corpo. Tudo é intenso nos sons que se ouvem aqui. Mesmo quando são mais delicados (correcção: parecem mais delicados), há uma aura de arruaceiro gentil na sua construção. “Finger Fuck”, do eterno Mr. Fingers, “I Don’t Know” de Steve ‘Silk’ Hurley (uau, quase parece Dead Or Alive ou Bananarama por Stock, Aitken & Waterman mas bem filtrado e mais lento), “1015″ de Dion & Tony, “The Dryer” de Virgo Four.

Outras faixas introduzem mais dor, no sentido de puxarem pelo corpo da forma mais eléctrica que sabiam (e sabiam bastante). A versão original de “Sensation”, de Ron Hardy, é um reflexo dos seus edits: repetição extraterrestre consumida em droga que nunca chega ao descontrole, só ao abandono consciente. O pulso desta faixa é a tradução do que significa jack. E não precisa de ácido.

A incrível beleza rítmica deste material equivale a um código tribal, não primitivo mas primordial, uma encenação de Super África, estes sons acreditam que começaram tudo. Se isso não é exactamente verdade, para nós que temos perspectiva, é ainda menos verdade que a sua aura tenha empalidecido. Mais forte que nunca, regressa para dominar. Sim.

Major

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